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A Hora da Estrela

Escrito por Moderador em 14.Mar.08 – 10:03

A Hora da EstrelaO texto é uma adaptação livre do último romance escrito por Clarice Lispector, morta em 1977.A Cia Clássica encarou o desafio de trazer para o palco a obra de Clarice, encenando um texto que fala da morte.A morte que já vem ironicamente expressa no título. A hora da estrela, é na verdade a hora da morte. A morte de Macabea, uma nordestina ingênua, alienada de seus valores culturais, alienada de tudo e de si mesma, vivendo numa cidade toda feita contra ela, como diz a própria Clarice em um dos muito sub-títulos que deu ao livro. Escrito durante os anos de chumbo da ditadura militar A Hora da Estrela foi também uma forma de Clarice Lispector responder as muitas cobranças que recebia por parte da critica que a acusava de produzir uma literatura muito hermética e sem cunho social e político.A história é um olhar comovente que a autora lança aos anônimos da sociedade, sobre a alienação cultural. Macabea é uma nordestina que vive no Rio de Janeiro completamente alienada de suas raízes culturais. Seus valores são “Cachorro Quente, Coca-Cola, Marylin Monroe” e talvez por isso ela sucumbe .A Hora da Estrela é uma oportunidade de se entrar no denso universo dessa autora que deixou uma obra vasta, escrevendo contos, novelas, crônicas, traduções e até livros infantis. A história começa com Rodrigo S. M., autor e narrador de A HORA DA ESTRELA, se desculpando com o público pela simplicidade da história que apresenta, explicando que isso decorre das dúvidas em relação à vida e a literatura. A protagonista Macabéa, é uma alagoana de 19 anos, órfã, criada por uma tia que a maltratava, com quem se mudou para o Rio de Janeiro. Após a morte da tia, Macabéa passa a dividir um quarto de cortiço com moças que mal conhece. Uma vida marcada pela precariedade e pela solidão. Trabalha como datilógrafa num pequeno escritório. Vive recebendo ameaças do patrão de que será demitida, pois comete muitos erros.Um dia, decide faltar no trabalho. Conhece então Olímpico de Jesus, um paraibano que trabalha numa metalúrgica. Ambicioso, ele sonha com fama e riqueza; tenta falar difícil, por clichês; quer ser deputado. Os namorados passam a se encontrar, até que Olímpico conhece Glória, colega de trabalho de Macabéa, e vê naquela carioca da gema possibilidades de prazer e ascensão social.Após ficar com o namorado de Macabéa, Glória sugere que Macabéa vá procurar Madame Carlota, uma cartomante que fora prostituta e cafetina. Madame recebe Macabéa com um carinho que até então ela desconhecia. A cartomante vê nas cartas um passado triste e um presente horrível, mas prevê um futuro feliz com um marido rico e estrangeiro.Macabéa deixa a casa da cartomante como outra pessoa. Como descreve o autor : ” Até para atravessar a rua ela já era outra pessoa.Uma pessoa grávida de futuro.” Ao atravessar a rua, entretanto, Macabéa é atropelada por um automóvel Mercedes Benz. Enquanto agoniza, ela delira, e acredita que as predições estão se cumprindo. Macabéa morre só, esmagada pelo mundo urbano. O narrador enfim afirma : ” Ela estava enfim livre de si e de nós. Não vos assusteis, morrer é um instante, passa logo, eu sei porque acabo de morrer com a moça.” A HORA DA ESTRELA estreou em 2003 e recebeu três prêmios no Festival Manoel Lyra de Santa Bárbara do Oeste: Melhor Atriz para Melany Kern, Melhor Cenário e Melhor Sonoplastia. Em julho de 2006 o espetáculo participou do Segundo Festival Livre de Teatro de Sorocaba, onde foi agraciado em mais cinco categorias: Melhor Atriz, novamente Melany Kern, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Direção, Melhor iluminação, e Segundo Lugar como Melhor Espetáculo. Nesta montagem a Cia Clássica traz para a cena Vanessa Motta, Melany Kern, Fabrício de Castro, Rodrigo Cintra, Matilde Santos e Mario Pérsico que também assina a direção e adaptação da obra.


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GALERIA A Hora da Estrela

Escrito por Moderador em 14.Mar.08 – 09:03

Fotos: Werinton Kermes


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